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Tipo do documento: Monografia
Título: Migração e trabalho escravo doméstico: jornadas de trabalhadoras domésticas migrantes em Teresina (1994-2020)
Autor: Araujo, Ana Grazielle Borges de 
Primeiro orientador: Rocha, Cristiana Costa da
Primeiro membro da banca: Torres, Iramaira
Segundo membro da banca: Mendes, Brenda
Terceiro membro da banca: Assunção, Rosângela
Resumo: O objetivo geral desta pesquisa é analisar como a permanência do trabalho doméstico análogo à escravidão entre mulheres migrantes do interior do Piauí resulta da continuidade histórica das estruturas escravocratas, articulando desigualdades de gênero, raça, classe e território. A investigação buscou compreender de que maneira a migração forçada, impulsionada pela pobreza, pela concentração fundiária e pela omissão estatal, transforma trajetórias individuais em experiências sistemáticas de exploração dentro dos lares urbanos, especialmente em Teresina. O estudo parte da compreensão de que discursos de oportunidade, acolhimento e ascensão social, sustentados por famílias empregadoras, pelo Estado e por imaginários raciais, têm sido essenciais para legitimar práticas de servidão, confinamento e violência que se reproduzem no âmbito doméstico. A formação histórica dessa relação de trabalho revela que, desde o pós-abolição, o serviço doméstico foi construído como destino social das mulheres negras e pobres, funcionando como um dos principais mecanismos de atualização das hierarquias escravocratas. A pesquisa evidencia também que a conivência do Estado e ausência de políticas públicas eficazes contribuíram para a manutenção dessas violações, sobretudo diante da informalidade que ainda marca cerca de 70% do setor, da dificuldade de fiscalização em ambientes privados e da desresponsabilização dos empregadores. Essa dinâmica é reforçada por práticas culturais que naturalizam a presença de mulheres pobres como “quase da família”, apagando vínculos laborais e ocultando situações de cárcere, jornada exaustiva, violência psicológica e retenção de direitos. A metodologia adotada foi de caráter qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental, legislação trabalhista e, sobretudo, entrevistas semiestruturadas com 03 (três) mulheres que se deslocaram de José de Freitas para Teresina. Foram utilizadas obras de autoras e autores como Davis (2016), Ribeiro (2017), Berth (2019), Mesquita (2023), Pereira da Silva e Araújo (2024), Torres e Mendes (2022), entre outros. As fontes consultadas e os relatos colhidos permitiram concluir que o trabalho doméstico análogo à escravidão se perpetua por meio de mecanismos simbólicos e estruturais que combinam racismo, patriarcado, desigualdade territorial e precarização laboral. Apesar dos avanços legais, como a PEC das Domésticas e a Lei Complementar nº 150/2015, a distância entre legislação e realidade permanece profunda, enquanto o ambiente doméstico segue funcionando como espaço de impunidade e reprodução de práticas escravistas. Em contrapartida, observa-se o fortalecimento das lutas coletivas, das ações sindicais e das redes de apoio entre as próprias trabalhadoras, que, ao compartilharem suas memórias, tornam-se protagonistas da resistência e da denúncia. Diante disso, a realidade do trabalho doméstico no Piauí expressa a contradição entre direitos formalmente garantidos e persistência da desigualdade estrutural, evidenciando que o modelo vigente privilegia a manutenção de relações históricas de dominação em detrimento da dignidade, da liberdade e da cidadania plena dessas mulheres
Abstract: The general objective of this research is to analyze how the persistence of domestic work analogous to slavery among migrant women from the interior of Piauí results from the historical continuity of slaveholding structures, articulating inequalities of gender, race, class, and territory. The investigation sought to understand how forced migration, driven by poverty, land concentration, and state omission, transforms individual trajectories into systematic experiences of exploitation within urban households, especially in Teresina. The study is based on the understanding that discourses of opportunity, care, and social mobility—sustained by employing families, the State, and racial imaginaries—have been essential to legitimizing practices of servitude, confinement, and violence reproduced in the domestic sphere. The historical formation of this labor relationship reveals that, since the post-abolition period, domestic service has been constructed as a social destiny for Black and poor women, functioning as one of the main mechanisms of updating slaveholding hierarchies. The research also shows that the complicity of the State and the weakening of public policies have contributed to the maintenance of these violations, especially given the informality that still marks around 70% of the sector, the difficulty of inspecting private households, and the lack of accountability of employers. This dynamic is reinforced by cultural practices that naturalize the presence of poor women as “almost part of the family,” erasing labor relations and concealing situations of confinement, exhaustive workdays, psychological violence, and denial of rights. The methodology adopted was qualitative, based on bibliographic review, document analysis, labor legislation, and, above all, semi-structured interviews with three migrant women from José de Freitas. Works by authors such as Davis (2016), Ribeiro (2017), Berth (2019), Mesquita (2023), Pereira da Silva and Araújo (2024), and Torres and Mendes (2022) were used, among others. The sources consulted and the narratives collected demonstrated that domestic work analogous to slavery persists through symbolic and structural mechanisms that combine racism, patriarchy, territorial inequality, and labor precarization. Despite legal advances, such as the Domestic Workers’ Amendment (PEC das Domésticas) and Complementary Law No. 150/2015, the gap between legislation and reality remains profound, while the domestic environment continues to function as a space of impunity and reproduction of slaveholding practices. On the other hand, there is a strengthening of collective struggles, union actions, and support networks among the workers themselves, who, by sharing their memories, become protagonists of resistance and denunciation. Thus, the reality of domestic work in Piauí expresses the contradiction between formally guaranteed rights and the persistence of structural inequality, evidencing that the current model privileges the maintenance of historical relations of domination to the detriment of dignity, freedom, and full citizenship for these women.
Palavras-chave: Trabalho Doméstico
Escravidão Contemporânea
Migração Feminina
Desigualdades
Piauí
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Estadual do Piauí
Sigla da instituição: UESPI
Departamento: Centro de Ciencias Humanas e Letras
Programa: Licenciatura em História
Citação: ARAUJO, Ana Grazielle Borges de. Migração e trabalho escravo doméstico: jornadas de trabalhadoras domésticas migrantes em Teresina (1994-2020). 2025. 54 f. Monografia (Licenciatura Plena em História)- Universidade Estadual do Piauí, Teresina-PI, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://sistemas2.uespi.br/handle/tede/3117
Data de defesa: 2025
Aparece nas coleções:CCHL - Licenciatura em História (Poeta Torquato Neto – TERESINA)

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