@MASTERSTHESIS{ 2025:1870689293, title = {Cutucar o cacho, compartilhar a vida: saberes e resistências das mulheres do babaçu em Zundão dos Camilos (União-PI) frente à expansão da COMVAP}, year = {2025}, url = "http://sistemas2.uespi.br/handle/tede/3056", abstract = "Este trabalho tem como objetivo analisar os saberes, as formas de resistência e os sentidos de território produzidos pelas quebradeiras de coco babaçu da comunidade Zundão dos Camilos, localizada no município de União, no estado do Piauí. A pesquisa busca compreender como essas mulheres, organizadas em torno do extrativismo do babaçu, enfrentam os impactos provocados pela expansão da monocultura da cana-de-açúcar e pela atuação da Companhia de Álcool e Açúcar do Piauí (COMVAP), cuja presença na região intensificou os processos de expropriação de terras, devastação ambiental e negação de direitos coletivos. A partir de um recorte temporal que abrange o período de 1960 a 2024, o estudo privilegia a história oral como instrumento central, considerando a memória como prática viva e política. Complementam a metodologia a análise documental e a pesquisa bibliográfica, com atenção especial a fontes produzidas por movimentos sociais, sindicatos e organizações de defesa dos direitos humanos no início dos anos 1990, como o dossiê “COMVAP: entre suor e sangue”. A fundamentação teórica articula contribuições de Silvia Federici, especialmente no que tange à crítica feminista da acumulação capitalista e à valorização do trabalho reprodutivo; de Carlos Rodrigues Brandão e Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz, no reconhecimento dos saberes populares como formas legítimas de conhecimento; e de Conceição de Maria Batista Costa e Viviane Barbosa cujas reflexões ajudam a tensionar o conceito de território como espaço vivido, disputado e marcado por relações de poder. A oralidade é abordada a partir das contribuições de Lucília Delgado, Monique Augras e Jerusa Ferreira, que ressaltam a dimensão subjetiva e política da memória. A escolha pela comunidade de Zundão dos Camilos se ancora não apenas em sua relevância empírica, mas também em um vínculo pessoal e afetivo da pesquisadora com o território, o que favorece uma aproximação etnográfica sensível e comprometida. A pesquisa denuncia os limites da concepção estatal de desenvolvimento, que, sob o discurso da modernização, invisibiliza os modos de vida tradicionais e os direitos das populações do campo. Em contrapartida, destaca-se a atuação das quebradeiras como sujeitas políticas, produtoras de saberes e defensoras de um modo de vida sustentado na partilha, na solidariedade e na preservação dos bens comuns. Ao dar centralidade às narrativas dessas mulheres, o trabalho não apenas registra suas histórias, mas afirma outras possibilidades de futuro, em que o cuidado com a terra, o corpo e a memória coletiva são estratégias de resistência diante do avanço do capital.", publisher = {Universidade Estadual do Piauí}, scholl = {Programa de Mestrado em Sociedade e Cultura}, note = {Centro de Ciencias Humanas e Letras} }