@MASTERSTHESIS{ 2025:2052622677, title = {Migração e trabalho escravo doméstico: jornadas de trabalhadoras domésticas migrantes em Teresina (1994-2020)}, year = {2025}, url = "http://sistemas2.uespi.br/handle/tede/3117", abstract = "O objetivo geral desta pesquisa é analisar como a permanência do trabalho doméstico análogo à escravidão entre mulheres migrantes do interior do Piauí resulta da continuidade histórica das estruturas escravocratas, articulando desigualdades de gênero, raça, classe e território. A investigação buscou compreender de que maneira a migração forçada, impulsionada pela pobreza, pela concentração fundiária e pela omissão estatal, transforma trajetórias individuais em experiências sistemáticas de exploração dentro dos lares urbanos, especialmente em Teresina. O estudo parte da compreensão de que discursos de oportunidade, acolhimento e ascensão social, sustentados por famílias empregadoras, pelo Estado e por imaginários raciais, têm sido essenciais para legitimar práticas de servidão, confinamento e violência que se reproduzem no âmbito doméstico. A formação histórica dessa relação de trabalho revela que, desde o pós-abolição, o serviço doméstico foi construído como destino social das mulheres negras e pobres, funcionando como um dos principais mecanismos de atualização das hierarquias escravocratas. A pesquisa evidencia também que a conivência do Estado e ausência de políticas públicas eficazes contribuíram para a manutenção dessas violações, sobretudo diante da informalidade que ainda marca cerca de 70% do setor, da dificuldade de fiscalização em ambientes privados e da desresponsabilização dos empregadores. Essa dinâmica é reforçada por práticas culturais que naturalizam a presença de mulheres pobres como “quase da família”, apagando vínculos laborais e ocultando situações de cárcere, jornada exaustiva, violência psicológica e retenção de direitos. A metodologia adotada foi de caráter qualitativo, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental, legislação trabalhista e, sobretudo, entrevistas semiestruturadas com 03 (três) mulheres que se deslocaram de José de Freitas para Teresina. Foram utilizadas obras de autoras e autores como Davis (2016), Ribeiro (2017), Berth (2019), Mesquita (2023), Pereira da Silva e Araújo (2024), Torres e Mendes (2022), entre outros. As fontes consultadas e os relatos colhidos permitiram concluir que o trabalho doméstico análogo à escravidão se perpetua por meio de mecanismos simbólicos e estruturais que combinam racismo, patriarcado, desigualdade territorial e precarização laboral. Apesar dos avanços legais, como a PEC das Domésticas e a Lei Complementar nº 150/2015, a distância entre legislação e realidade permanece profunda, enquanto o ambiente doméstico segue funcionando como espaço de impunidade e reprodução de práticas escravistas. Em contrapartida, observa-se o fortalecimento das lutas coletivas, das ações sindicais e das redes de apoio entre as próprias trabalhadoras, que, ao compartilharem suas memórias, tornam-se protagonistas da resistência e da denúncia. Diante disso, a realidade do trabalho doméstico no Piauí expressa a contradição entre direitos formalmente garantidos e persistência da desigualdade estrutural, evidenciando que o modelo vigente privilegia a manutenção de relações históricas de dominação em detrimento da dignidade, da liberdade e da cidadania plena dessas mulheres", publisher = {Universidade Estadual do Piauí}, scholl = {Licenciatura em História}, note = {Centro de Ciencias Humanas e Letras} }