| Compartilhamento |
|
Use este identificador para citar ou linkar para este item:
https://sistemas2.uespi.br/handle/tede/3056| Tipo do documento: | Dissertação |
| Título: | Cutucar o cacho, compartilhar a vida: saberes e resistências das mulheres do babaçu em Zundão dos Camilos (União-PI) frente à expansão da COMVAP |
| Autor: | Ferreira, Amara Prysciliana Brandão da Silva |
| Primeiro orientador: | Costa Filho, Alcebíades |
| Primeiro coorientador: | Cardoso, Antonio Alexandre Isídio |
| Resumo: | Este trabalho tem como objetivo analisar os saberes, as formas de resistência e os sentidos de território produzidos pelas quebradeiras de coco babaçu da comunidade Zundão dos Camilos, localizada no município de União, no estado do Piauí. A pesquisa busca compreender como essas mulheres, organizadas em torno do extrativismo do babaçu, enfrentam os impactos provocados pela expansão da monocultura da cana-de-açúcar e pela atuação da Companhia de Álcool e Açúcar do Piauí (COMVAP), cuja presença na região intensificou os processos de expropriação de terras, devastação ambiental e negação de direitos coletivos. A partir de um recorte temporal que abrange o período de 1960 a 2024, o estudo privilegia a história oral como instrumento central, considerando a memória como prática viva e política. Complementam a metodologia a análise documental e a pesquisa bibliográfica, com atenção especial a fontes produzidas por movimentos sociais, sindicatos e organizações de defesa dos direitos humanos no início dos anos 1990, como o dossiê “COMVAP: entre suor e sangue”. A fundamentação teórica articula contribuições de Silvia Federici, especialmente no que tange à crítica feminista da acumulação capitalista e à valorização do trabalho reprodutivo; de Carlos Rodrigues Brandão e Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz, no reconhecimento dos saberes populares como formas legítimas de conhecimento; e de Conceição de Maria Batista Costa e Viviane Barbosa cujas reflexões ajudam a tensionar o conceito de território como espaço vivido, disputado e marcado por relações de poder. A oralidade é abordada a partir das contribuições de Lucília Delgado, Monique Augras e Jerusa Ferreira, que ressaltam a dimensão subjetiva e política da memória. A escolha pela comunidade de Zundão dos Camilos se ancora não apenas em sua relevância empírica, mas também em um vínculo pessoal e afetivo da pesquisadora com o território, o que favorece uma aproximação etnográfica sensível e comprometida. A pesquisa denuncia os limites da concepção estatal de desenvolvimento, que, sob o discurso da modernização, invisibiliza os modos de vida tradicionais e os direitos das populações do campo. Em contrapartida, destaca-se a atuação das quebradeiras como sujeitas políticas, produtoras de saberes e defensoras de um modo de vida sustentado na partilha, na solidariedade e na preservação dos bens comuns. Ao dar centralidade às narrativas dessas mulheres, o trabalho não apenas registra suas histórias, mas afirma outras possibilidades de futuro, em que o cuidado com a terra, o corpo e a memória coletiva são estratégias de resistência diante do avanço do capital. |
| Abstract: | Este trabajo tiene como objetivo analizar los saberes, las formas de resistencia y los sentidos de territorio producidos por las quebradoras de coco de babasú de la comunidad Zundão dos Camilos, ubicada en el municipio de União, en el estado de Piauí. La investigación busca comprender cómo estas mujeres, organizadas en torno al extractivismo del babasú, enfrentan los impactos provocados por la expansión del monocultivo de caña de azúcar y por la actuación de la Companhia de Álcool e Açúcar do Piauí (COMVAP), cuya presencia en la región intensificó los procesos de expropiación de tierras, devastación ambiental y negación de derechos colectivos. A partir de un recorte temporal que abarca el período de 1960 a 2024, el estudio privilegia la historia oral como instrumento central, considerando la memoria como una práctica viva y política. Complementan la metodología el análisis documental y la investigación bibliográfica, con especial atención a fuentes producidas por movimientos sociales, sindicatos y organizaciones de defensa de los derechos humanos a inicios de la década de 1990, como el dossier “COMVAP: entre sudor y sangre”. El marco teórico articula contribuciones de Silvia Federici, especialmente en lo que respecta a la crítica feminista de la acumulación capitalista y la valorización del trabajo reproductivo; de Carlos Rodrigues Brandão y Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz, en el reconocimiento de los saberes populares como formas legítimas de conocimiento; y de Conceição de Maria Batista Costa y Viviane Barbosa, cuyas reflexiones ayudan a tensionar el concepto de territorio como espacio vivido, disputado y marcado por relaciones de poder. La oralidad se aborda a partir de las contribuciones de Lucília Delgado, Monique Augras y Jerusa Ferreira, quienes destacan la dimensión subjetiva y política de la memoria. La elección de la comunidad de Zundão dos Camilos se basa no solo en su relevancia empírica, sino también en un vínculo personal y afectivo de la investigadora con el territorio, lo que favorece un enfoque etnográfico sensible y comprometido. La investigación denuncia los límites de la concepción estatal de desarrollo, que, bajo el discurso de la modernización, invisibiliza los modos de vida tradicionales y los derechos de las poblaciones rurales. En contrapartida, se destaca la actuación de las quebradoras como sujetas políticas, productoras de saberes y defensoras de un modo de vida sustentado en el compartir, la solidaridad y la preservación de los bienes comunes. Al dar centralidad a las narrativas de estas mujeres, el trabajo no solo registra sus historias, sino que afirma otras posibilidades de futuro, en las que el cuidado de la tierra, del cuerpo y de la memoria colectiva son estrategias de resistencia frente al avance del capital. |
| Palavras-chave: | Quebradeiras de Coco Babaçu Território Gênero Desenvolvimento Resistência |
| Área(s) do CNPq: | CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Instituição: | Universidade Estadual do Piauí |
| Sigla da instituição: | UESPI |
| Departamento: | Centro de Ciencias Humanas e Letras |
| Programa: | Programa de Mestrado em Sociedade e Cultura |
| Citação: | FERREIRA, Amara Prysciliana Brandão da Silva. Cutucar o cacho, compartilhar a vida: saberes e resistências das mulheres do babaçu em Zundão dos Camilos (União-PI) frente à expansão da COMVAP. 2025. 120 f. Dissertação (Programa de Mestrado em Sociedade e Cultura) - Universidade Estadual do Piauí, Teresina, 2025. |
| Tipo de acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | http://sistemas2.uespi.br/handle/tede/3056 |
| Data de defesa: | 2025 |
| Aparece nas coleções: | Programa de Mestrado em Sociedade e Cultura |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| Dissertação Completa.pdf | 3,49 MB | Adobe PDF | Baixar/Abrir Pré-Visualizar |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.
